segunda-feira, 7 de junho de 2010

Quem é esse inofensivo velhinho?



Foi o estudante que humilhou um oponente poderoso.

Operação Westmoreland

A guerra do Vietnã foi uma das derrotas mais vergonhosas de militares ocidentais. O hábito de lutar guerras organizadas e padronizadas pode ser problema contra um inimigo criativo.

Vo Nguyen Giap foi um general vietnamita, fundador e comandante supremo do Exército do Povo do Vietnam e um dos mais importantes estrategistas militares do século XX, que comandou as forças do Vietnam que derrotaram o exército francês na Batalha de Dien Bien Phu em 1954, encerrando o domínio colonial europeu no país, criando o Vietnam do Norte e Vietnam do Sul e o Exército dos Estados Unidos na Guerra do Vietnam, que resultou novamente na unificação do Vietnam, sob regime comunista.

"Juventude"

Giap é o sexto de uma família de oito filhos. Seu prenome Vo significa força e Giap, armadura, um nome que, segundo seus admiradores, pressagiava seu destino.

Alguns fatos de sua juventude permanecem obscuros e outros foram fabricados para efeito de propaganda. Segundo as fontes oficiais, seu pai era um agricultor que plantava algodão, mas fontes ocidentais asseguram que seu pai pertencia à elite mandarim. Há dúvidas até mesmo quanto ao ano de seu nascimento: 1911, como consta dos registros oficiais, ou 1912. Certo é que era fluente na língua francesa e teve oportunidade de estudar em duas importantes cidades, Hue e Hanói.

Aos 14 anos já fazia parte de organizações clandestinas que lutavam contra a ocupação francesa da Indochina, o antigo nome do Vietnam, dado por seus colonizaodres. Em 1930, foi preso e condenado a três anos de prisão, mas foi solto alguns meses depois. Em 1933, foi expulso da Universidade de Hanói por se envolver em atividades subversivas. No ano seguinte, ingressou no Partido Comunista da Indochina.

A história oficial registra que Giap formou-se em Direito no ano de 1937, mas fontes ocidentais duvidam desta informação, pois dificilmente as autoridades francesas permitiriam que fosse readmitido na Universidade de onde fora expulso.

Carreira militar

Neste mesmo ano começa a trabalhar como professor de História, mas se ocupa mais em organizar colegas e alunos para a luta revolucionária. No ano seguinte, casa-se com a tailandesa Dang Thi Quang, também uma militante comunista.

Colocado o Partido Comunista na ilegalidade pelas autoridades francesas, segue-se a perseguição a seus militantes, Giap, junto com Ho Chi Minh e outros comunistas, foge em 1939 para a China. Lá inicia seu treinamento militar na tática de guerrilha.

A mulher de Giap é presa e morre na prisão, em conseqüência de torturas. Outros parentes seus também são mortos, inclusive seu pai, seu filho recém nascido e alguns de seus irmãos.

No princípio da década de 40, inicia sua carreira militar como conselheiro de Ho Chi Minh em operações de guerrilha na fronteira com a China. A China e o Vietnam sofriam à época a invasão japonesa que se prolongaria até 1945. Em 1941, participa da fundação da Liga Vietnamita para a Independência, mais conhecida como Viet Minh.

Quando os japoneses se rendem em 1945, Ho Chi Minh, aproveitando-se da confusão reinante, tomou o poder na parte norte do Vietnam, estabelecendo sua capital em Hanói. Giap foi nomeado Ministro da Defesa e comandante do Exército e forma o primeiro núcleo das Tropas de Libertação do Povo, com 34 homens.

Da derrota dos franceses, resultou a divisão do Vietnam, o Norte governado pelos comunistas liderados por Ho Chi Minh e o Sul sob governos vinculados aos Estados Unidos. A partir de 1959, crescia a presença de tropas norte-americanas e seu envolvimento em operações de guerra, em apoio às tropas do Vietnam do Sul. Era a segunda fase da Guerra do Vietnam.

Giap, à frente do exército norte-vietnamita, derrotou as forças dos Estados Unidos com uma desgastante guerra de guerrilhas. Na chamada Ofensiva do Tet , suas tropas chegaram a combater nas ruas da capital do Vietnam do Sul, Saigon, o que levou os Estados Unidos a se retirarem do Vietnam. Em 1975, ocorreu a reunificação do país.

Giap continuou Ministro da Defesa e, por um curto período, foi Primeiro-Ministro do país. Mas em 1991 se retirou em definitivo da vida pública. Continua vivo e tem 97 anos de idade.

Contou sua experiência militar em três livros: Manual de Estratégia Subversiva, Como Vencemos a Guerra e Guerra do Povo, Exército do Povo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Desativação das ZW da FAB.

Sobrou doutrina relativa à valorização do espólio de recursos humanos das velhas “ZW”. Posições operacionais militares. É o que nossos SARAM significam.
"O neurótico constrói um castelo no ar. O psicótico mora nele. O psiquiatra cobra o aluguel." (Jerome Lawrence)

PCA 102-1/2009
Desativação das Estações de Telecomunicações no Âmbito do Comando da Aeronáutica

PREFÁCIO

Devido ao desenvolvimento da Tecnologia de Informação e dos microcomputadores, os terminais de teleimpressores foram substituídos por equipamentos mais simples de operar e com uma interface homem-máquina muito mais amigável. Neste contexto, o profissional com conhecimento e habilidades na operação dos antigos meios de comunicação, como o telégrafo e o teletipo, não se faz tão necessário para apoiar os usuários do serviço de mensagens.


Por outro lado, o avanço tecnológico na área de redes de computadores e sistemas automatizados vem demandando o emprego de recursos humanos especializados para administrar, supervisionar e manter as redes e sistemas de telecomunicações que estão
sendo implantados. A Portaria DECEA Nº 155/DGCEA, de 18 de setembro de 2003, aprovou a Concepção Operacional da Nova RACAM, um sistema eletrônico de fluxo de mensagens, que utiliza como suporte físico uma rede digital de longa distância privativa do Comando da Aeronáutica. As redes locais instaladas nas organizações subordinadas se conectam através da INTRAER.


A Concepção Operacional da Nova RACAM estabelece que a rede será implantada de forma que a continuidade no trâmite de mensagens, que atualmente é efetuado através da RACAM, não sofra nenhum impacto. Para que este critério seja atendido, a implantação deverá ser executada em três fases, possibilitando uma transição gradativa do serviço atual para a Nova RACAM. Durante a implantação de cada fase, facilidades
adicionais poderão ser incorporadas ao sistema.

Concluída a primeira fase de implantação da Nova RACAM, o DECEA por meio deste Plano estabelece os critérios para, gradativamente, implantar a segunda fase que prevê a desativação das ECM administrativas, visando à substituição progressiva dos serviços de mensagens e, principalmente, fazer o aproveitamento dos operadores de telecomunicações em novas funções demandadas pela implantação dos novos sistemas.

Ok, instrução.

De acordo com a portaria o terminal centralizado da estação de comunicações militares ECM-A26 será substituído por um terminal em cada seção, de modo que as seções continuem em comunicação entre si e adicionalmente possam comunicar-se com outras unidades. Excelente.

Deste modo, cada funcionário poderá enviar suas próprias mensagens, no teor de cada serviço. Logo, na fase 2 o efetivo da estação deverá elaborar uma apostila para o usuário e cuidar da manutenção do terminal. Só isso. Ao invés do chefe assinar a mensagem telegráfica e encaminhar para transmissão, o chefe de cada seção poderá enviar mensagens diretamente, aumentando a capacidade de comunicação. Espantoso! Uma idéia genial!

Logo, em estrito entendimento, ensinaremos a fazer nosso serviço, ou seja: enviar mensagens.

Ok. Toda seção deverá ser capacitada a assumir das Estações de Comunicações Militares as seguintes tarefas:

Comunicar-se utilizando-se da Rede Administrativa de Comutação Automática de Mensagens – RACAM. A RACAM será criada após a destativação das NOVA-RACAM. No sistema RACAM possibilitará, desta forma, que os usuários possam compartilhar livremente suas mensagens, dispensando a necessidade de protocolo e entrega de mensagens. Tudo o que as Estações de Comunicações precisam fazer é treinar o usuário.

Moleza.

De acordo com a Doutrina Básica da Força Aérea, o emprego e permanente das ações de comando de defesa aeroespacial brasileiro é centralizada no COMDABRA, e as estações de comunicações militares participam do elo de defesa aeroespacial brasileiro por intermédio das estações de comunicações das Fae Numeradas.

Na Doutrina Básica da Força Aérea, consta que:

1.2 CONCEITUAÇÃO
Para efeito desta Diretriz, consideram-se as conceituações contidas nas documentações
normativas do Ministério da Defesa (MD), do Comando da Aeronáutica (COMAER) e as especificadas abaixo:

1.2.1 COMANDO DE EMPREGO (Cmdo Emp)

1.2.1.1 Comando Singular ou Combinado ativado na FAB, organizado para empregar os
meios alocados a toda a gama de missões que lhe forem atribuídas.

1.2.1.2 Dentro desse conceito, encontram-se o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), responsável por toda a defesa aeroespacial do País, ativado permanentemente desde o tempo de paz; as Forças Aéreas Numeradas (FAe Num) e Forças Aéreas Componentes (FAC), que são organizadas e ativadas temporariamente.

1.2.2 FORÇA AÉREA NUMERADA (FAe Num) Conjunto de unidades e organizações da Força Aérea responsável por ações singulares ou combinadas com as demais Forças Singulares ou Governamentais, organizado para a execução de uma missão específica, com objetivos e duração limitados, sendo desativado após o cumprimento da missão. Quando for adjudicada a um Comando Combinado, integrará este Comando como FAC.

1.2.3 FORÇA AÉREA COMPONENTE (FAC) Conjunto de unidades e organizações da Força Aérea integrante de um Comando Combinado, o qual é organizado para a execução de uma missão específica, com objetivos e duração limitados, sendo desativado após o cumprimento da missão.

1.2.4 PODER AEROESPACIAL (DOUTRINA MILITAR DE DEFESA - MD33-M-04,
ITEM 4.1.3, DE 31 JUL 2001) Projeção do Poder Nacional que se expressa como a capacidade resultante da integração dos recursos de que a Nação dispõe, para a utilização do espaço aéreo e do espaço exterior, quer como instrumento de ação política e militar, quer como fator de desenvolvimento econômico e social, visando a conquistar e manter os Objetivos Nacionais. Seus elementos constitutivos básicos estão conceituados abaixo.
1.2.4.1 Força Aérea Brasileira (FAB)
Conjunto de organizações, de instalações, de equipamentos e de pessoal
empenhados no cumprimento da missão militar atribuída ao COMAER.

Considerando desta forma que as Estações de Comunicações Militares traduzem um ativo militar, em consonância com a Política de Comando e Controle da Aeronáutica (PORTARIA No 395/GC3, DE 22 DE JUNHO DE 2007) na forma de seu prefácio:

“A coordenação e o controle de todos os meios envolvidos no ambiente operacional, tanto em tempo de paz como em situação de conflito, tende a ser uma tarefa crescente e complexa. Tal circunstância tem determinado o estabelecimento de sistemas de comando e controle cujas peculiaridades, no que se refere à abrangência, flexibilidade, confiabilidade e segurança, visam a permitir que a ação de comando se manifeste adequada e oportunamente.

A atividade de Comando e Controle vem sendo, cada vez mais, sustentada por modernos e eficientes sistemas de comunicações, de inteligência e de tecnologia da informação, no sensoriamento e na guerra eletrônica. Por ser uma atividade complexa, com necessidade de apresentar grande capilaridade e integração com diversas atividades e sistemas do Comando da Aeronáutica, a estrutura de Comando e Controle deve permear esta Instituição, harmonizando-se, sempre que possível, com o Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC2). Isso permitirá que comandantes com funções administrativas ou operacionais possam dispor de informações oportunas e confiáveis no momento da tomada de decisão.

Será a capacidade de Comando e Controle, por meio de seus processos e sistemas, um dos pilares para o sucesso da Missão, exigindo uma ampla reflexão e debate sobre as bases da modernização ou atualização desta política que influencia, na arte militar, o entendimento da situação, o direcionamento das ações e as normas de conduta de modo efetivo e oportuno.

Este documento propõe os fundamentos para uma capacitação da estrutura de Comando e Controle da Aeronáutica, enfocando primordialmente a necessidade da integração
do fluxo de informações e da produção de conhecimentos para uma ação imediata, efetiva e coordenada, em todos os níveis de atuação, nas situações de paz, crise, conflito armado ou contingência.

Busca-se, também, com este documento, atingir os objetivos de integração e interoperabilidade entre sistemas de Comando e Controle das Forças Armadas, conforme orientações do Ministério da Defesa, explicitadas na legislação em vigor.”

Em decorrência dos termos assinalados na Política de Comando e Controle, os Ativos Humanos de defesa integram seus respectivos elos operacionais e táticos – COMDABRA e COMGAR, são somente alguns exemplos.

Por outro lado, o efetivo das Estações de Comunicações Militares administrativas formam o efetivo militar para coordenação tática, nos termos da DMA600-1. Página 17:

3.14 COMANDO E CONTROLE (C2)

3.14.1 É o exercício da autoridade e da direção que um comandante tem sobre as forças a seu comando, para o cumprimento da missão designada.
3.14.2 Um C2 efetivo é fundamental para a eficiente aplicação do Poder Militar Aeroespacial.
Dessa forma, uma compreensão de seus principais elementos é essencial para a efetivação de uma doutrina. O completo entendimento das suas funções, das suas redes e do seu sistema como um todo é requisito a ser perseguido tanto pelos planejadores quanto pelos executores das missões.
3.14.3 As funções de C2 são executadas pela integração de pessoal, equipamentos, comunicações, facilidades e procedimentos empregados pelo Comandante no planejamento, direção, coordenação e controle das forças e operações no cumprimento da missão.
3.14.4 Um efetivo sistema de C2 é primordial na capacidade de ação da Força Aérea. O
pessoal encarregado do planejamento é chamado a contribuir com suas perspectivas, visões e compreensão do ambiente global do TO, no que tange a estratégias operacionais e emprego tático necessário para a consecução dos objetivos da campanha.
3.14.5 Ele permite que as forças controlem o ambiente aeroespacial, o engajamento dos alvos em qualquer lugar, de modo oportuno, bem como obtenham os efeitos desejados com riscos considerados aceitáveis e danos colaterais mínimos, sustentando as operações de combate de modo flexível e efetivo.
3.14.6 São características desejáveis para um sistema de C2:
a) interoperabilidade;
b) flexibilidade;
c) pronta-resposta;
d) mobilidade;
e) disciplina;
f) capacidade de sobrevivência;
g) facilidade de manutenção; e
h) segurança.

Pg 18 - DCA 1-1/2005

3.15 GUERRA ELETRÔNICA COMO FATOR MULTIPLICADOR DA CAPACIDADE OPERACIONAL

3.15.1 A velocidade de ocorrência dos eventos para uma Força, em um teatro de guerra, e a utilização de sistemas de comando e controle, rápidos e seguros, de equipamentos de
vigilância e alarme, de armamentos, de dispositivos de guiamento e de sensores de reconhecimento a tornam dependente do espectro eletromagnético.
3.15.2 Essa dependência é resultante da evolução que tem ocorrido no espaço de batalha e, em particular, da guerra eletrônica, tornando-a letal, ofensiva, e determinando o como fazer (arte), para explorar as tecnologias (ciência) existentes em um cenário operacional.
3.15.3 A Guerra Eletrônica é o conjunto de ações que:
a) utiliza a energia eletromagnética para destruir, neutralizar ou reduzir a capacidade de combate inimiga;
b) busca extrair informações e obter vantagem, quando o oponente utiliza o espectro eletromagnético; e
c) visa a assegurar o emprego eficiente das emissões eletromagnéticas pelas forças amigas.
3.15.4 A Guerra Eletrônica é dividida, de acordo com seus objetivos, em três grandes grupos: medidas de apoio de guerra eletrônica (MAGE), medidas de ataque eletrônico (MAE) e medidas de proteção eletrônica (MPE).
3.15.5 A Guerra Eletrônica fornece os fundamentos que contribuem para entender e explorar o espetro eletromagnético, visando a desenvolver novos conceitos de guerra, concepções de emprego, métodos, modelos e táticas. Da mesma forma, essa atividade estuda, explora e contribui para o desenvolvimento de tecnologias utilizadas no cenário tático da guerra, em uma mistura de arte e ciência, que deve ser empregada para multiplicar a capacidade operacional das Forças.
3.16 A GUERRA DE INFORMAÇÃO - IMPACTO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO MEIO MILITAR
3.16.1 Na atualidade, os sistemas de apoio à decisão são marcados pela multiplicidade dos meios de informação que os alimentam. O seu universo de aplicação é amplo e decisivo no campo de batalha moderno, caracterizado pelo emprego extensivo de equipamentos tecnologicamente avançados.
3.16.2 Esse cenário tem influência direta na ação das Forças Armadas, porque exige a proteção da informação que circula nos seus sistemas de C2.
3.16.3 A tecnologia desempenha, dentro deste contexto, um papel fundamental, por garantir não só a eficácia dos sistemas de informação existentes, mas também a melhor forma de degradar os sistemas correspondentes do inimigo, revestindo de uma nova roupagem um conceito antigo, mas sempre presente, a que se dá hoje o nome de “Guerra da Informação”.

É presumível que os recursos humanos afetos às Estações de Comunicações Militares administrativas sejam contingenciados à sua cadeia de comando, ou por necessidade do serviço, de acordo com os objetivos específicos de comando e controle:

4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DE COMANDO E CONTROLE
Os objetivos a seguir devem orientar o comportamento e as decisões dos recursos humanos da Força Aérea Brasileira, no desenvolvimento e na condução da atividade de Comando e Controle.
4.1 1º OBJETIVO
INTEGRAÇÃO DA ESTRUTURA DE COMANDO E CONTROLE DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA COM O MINISTÉRIO DA DEFESA, DEMAIS FORÇAS SINGULARES, ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS E OUTROS USUÁRIOS.
O Comando da Aeronáutica deverá buscar a integração de infra-estrutura, processos, doutrina e informações com o Ministério da Defesa, demais Forças Singulares, órgãos governamentais e qualquer outro usuário, cujas atividades gerem conhecimento essencial para o planejamento, condução, fiscalização, gerenciamento, coordenação e controle das atividades aéreas sob comando operacional e tático da Aeronáutica.
4.2 2º OBJETIVO
INTEGRAÇÃO DA INFRA-ESTRUTURA DE TELECOMUNICAÇÕES E DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO DO COMANDO DA AERONÁUTICA COM O SISC2FAB.
A estrutura de C2 deve ser integrada à infra-estrutura de telecomunicações e aos sistemas de informação do Comando da Aeronáutica, de modo a possibilitar que comandantes operacionais e táticos da Força Aérea Brasileira utilizem princípios e recursos de C2, integrados entre si, para planejar, dirigir, coordenar e controlar as forças a eles subordinadas, por meio da utilização de recursos humanos, tecnologias e processos, no cumprimento de sua missão.
4.3 3º OBJETIVO
CAPACITAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA PARA O EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES DE COMANDO E CONTROLE.
As escolas de formação e de pós-formação da Aeronáutica, juntamente com o setor operacional, devem ministrar conhecimentos de C2 aos seus respectivos instruendos, visando a capacitá-los, de acordo com seu nível de responsabilidade, a gerenciar ou a participar dos processos da estrutura de Comando e Controle da Força Aérea Brasileira.
O conhecimento de C2 ministrado pelas organizações militares da Aeronáutica
deve primar pela manutenção da uniformidade doutrinária e conceitual, consubstanciada pelas publicações de C2 emitidas pelo Ministério da Defesa, pelo Estado-Maior da Aeronáutica e pelo Comando-Geral de Operações Aéreas.
4.4 4º OBJETIVO
VALORIZAÇÃO E CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA, DEDICADOS AO DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS E DE CONCEITOS DOUTRINÁRIOS DE COMANDO E CONTROLE.
As organizações militares do Comando da Aeronáutica, diretamente relacionadas com ensino, regulamentação e gerenciamento da atividade de C2, devem manter, como oficiais de doutrina de seus efetivos, militares com formação stricto sensu em C2, a fim de atuarem no desenvolvimento e na manutenção de conceitos doutrinários da referida atividade.
4.5 5º OBJETIVO
INTEGRAÇÃO DAS NECESSIDADES DE INOVAÇÃO OPERACIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA DE COMANDO E CONTROLE COM O PARQUE CIENTÍFICO TECNOLÓGICO BRASILEIRO.
As organizações de ensino e pesquisa da Aeronáutica, em conjunto com as organizações operacionais, deverão buscar o desenvolvimento de linhas de pesquisa para integrar as necessidades operacional, científica e tecnológica de C2, internamente à Instituição e por meio de parcerias com o parque científico-tecnológico brasileiro.
4.6 6º OBJETIVO
INTEGRAÇÃO DOS PROCESSOS DE COMANDO E CONTROLE ÀS ATIVIDADES DE SUPORTE OPERACIONAL PREVISTAS NA DOUTRINA BÁSICA DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA.
Os processos e Sistemas de Tecnologia da Informação para Comando e Controle (STIC2) das atividades de suporte operacional, previstas na DCA 1-1, devem ter suas ações e funcionalidades, respectivamente, regidas de acordo com a documentação doutrinária e sistêmica da atividade de C2, subordinando-se às necessidades da área operacional.
4.7 7º OBJETIVO
ACOMPANHAMENTO DA EVOLUÇÃO DOUTRINÁRIA E TECNOLÓGICA DE COMANDO E CONTROLE NO ÂMBITO NACIONAL E INTERNACIONAL.
As organizações militares do Comando da Aeronáutica, diretamente relacionadas com ensino, regulamentação e gerenciamento da atividade de C2, devem enviar recursos humanos, periodicamente, a eventos nacionais e internacionais, onde possa ser reciclado o conhecimento na referida atividade.

Anualmente, os oficiais de doutrina das organizações militares do Comando da Aeronáutica, diretamente relacionadas com ensino, regulamentação e gerenciamento da
atividade de C2, devem-se reunir, a fim de comparar a doutrina de C2 em vigor com lições aprendidas a partir de exercícios e operações militares e com procedimentos adotados por outros países, propondo as atualizações necessárias nas publicações que regem a atividade de Comando e Controle.

Tal legislação presume que a ECM-T26, por exemplo passe a integrar confortavelmente o combalido efetivo do EMAER, ou sua designação mais recente. GABAER. Missões internacionais! Salvo engano há uma estação internacional. SITFA, ou o que sobrou dela...

No caso específico da ECMN-26, o espólio de recursos humanos deverá complementar sua cadeia de comando administrativa, mediante gravitação política com o detentor do recurso técnico descrito na DCA600-1, que encerra em suas disposições finais:

6 DISPOSIÇÕES FINAIS
Os casos não previstos por esta publicação serão submetidos ao Exmo Sr
Comandante da Aeronáutica ou ao Exmo Sr Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica.

Quem assina a DCA 600-1?
Ten Brig Ar JUNITI SAITO, Comandante da Aeronáutica, (DOU1 no 120, de 25 JUN 2007).

Tá melhorando? Então pega força:

Quem assina a DCA 1-1?
Ten Brig Ar LUIZ CARLOS DA SILVA BUENO
Comandante da Aeronáutica

Quem a determina como transição de efetivo habilitado do próprio DECEA?

O DIRETOR-GERAL DO DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO
ESPAÇO AÉREO, no uso das atribuições que lhe confere o Art. 3º, inciso IX, da
Portaria Nº 1.161/GC3 de 19 de outubro de 2005 e o Art. 4o, incisos III e IV, combinado com o Artigo 11, inciso IV, todos do Regulamento do Departamento de Controle do espaço Aéreo (ROCA 20-7), aprovado pela Portaria no 1.212/GC3, de 27 de dezembro e 2006, Ten Brig Ar RAMON BORGES CARDOSO - Diretor-Geral do DECEA
(Publicado no BCA no 021, de 1º de fevereiro de 2010).

Ou seja: preparem-se para manobras. A gravitação dos recursos especializados convergirá conforme dispositivos legais combinados, mediante instruções. Tudo tranqüilo.

E pra facilitar, o próprio PCA delega providências:

2.3.4 A desativação das ECM administrativas possibilitará o aproveitamento dos operadores de telecomunicações em novas funções demandadas pela implantação dos novos sistemas, com um melhor aproveitamento do perfil profissional do graduado do QSS BCO. De acordo com as DCA1-1 e DCA600-1, isso é ótimo.

3.2.1 CRITÉRIOS
3.2.1.1 O Plano de Desativação das ECM está dividido em duas fases, preparadas de modo que não cause impacto operacional no trâmite de mensagens administrativas dos órgãos do COMAER.
3.2.1.2 A Fase 1 se refere à desativação das ECM instaladas em órgãos subordinados ao
DECEA e será efetivada seguindo um cronograma previamente estabelecido pelos órgãos regionais do DECEA em suas respectivas áreas de jurisdição.
3.2.1.3 A Fase 2 é referente à desativação das ECM nas demais OM do COMAER e será efetivada segundo o interesse dos diretores, comandantes ou chefes das respectivas OM.

A Fase 3 não é descrita porque não foi pensada em termos de contingente para emprego. Seremos devolvidos ao elo militar decorrente das atividades militares.

Ou seja: o comandante de cada Unidade decide quando desativará ou não sua estação. Tem prazo até 2013 e quem desativar perde seu efetivo por interesse do serviço, mas ganha um terminal da Nova RACAM para treinar seu pessoal. Troca justa. Onde entra a estação rádio nesse circuito?Onde se detecta um erro conceitual:

3.2.1.7 Os órgãos regionais serão os responsáveis por preparar os novos operadores dos
terminais de comunicação e, como forma de padronização, deverão seguir o Programa de Treinamento Teórico de Operação de Terminal RACAM e o Programa de Treinamento Teórico de Operação de Terminal AFTN, anexos a este Plano e elaborados pelo SDOP.

De acordo com o exposto, o CINDACTA1 – órgão regional será responsável por preparar os novos clientes da rede administrativa, não operadores. Não haverá operadores RACAM. Haverá usuários RACAM. A não ser que não seja a mesma coisa, os terminais serão utilizados pelo pessoal capacitado pelo Programa de Treinamento Teórico de Operação de Terminal RACAM, não pelas equipes descritas no MCA 102-7.

As equipes serão extintas. Seus integrantes encaminhados para os pólos de decisão das cadeia de comando conforme planejamento consonante às diretrizes. O que fugir disso recai nas responsabilidades do Plano de Desativação das Estações:

3.2.1.8 Caso haja necessidade, o órgão regional poderá solicitar orientação ao SDOP para esclarecimentos dos assuntos abordados nos programas de treinamento a serem ministrados aos novos operadores dos terminais de comunicação <>.

É possível que o próximo SDOP ou DGCEA seja o atual Comandante do CINDACTA1. É a seqüência lógica lato-sensu.Tem perfil. Só duvido que abra mão de seus ativos militares, que sequer outros militares têm noção exata de sua composição.
Ou seja. Voltando à Política de Comando e Controle:

2 CONCEPÇÃO DE EMPREGO
A atividade de Comando e Controle (C2), no âmbito da Aeronáutica, é exercida por meio do Sistema de Comando e Controle da Força Aérea Brasileira (SISC2FAB). O SISC2FAB é um sistema formado por recursos humanos, estrutura organizacional e infra-estrutura tecnológica, definidos conforme estabelecido pela Doutrina Militar de C2 do Ministério da Defesa (MD).
O SISC2FAB deve atender às necessidades operacionais de C2 do COMAER, tanto em tempo de paz como em situação de conflito. Deve ter representação em todos os Comandos-Gerais e Departamentos da Aeronáutica, ramificando-se para as demais organizações militares, de modo a possibilitar que o exercício do C2 ocorra de forma integrada em toda a Instituição.
O SISC2FAB também se deve relacionar com os sistemas congêneres do MD e das demais Forças Armadas, a fim de possibilitar o emprego combinado de meios em situação de crise ou conflito. Da mesma forma, deve buscar interfaces com sistemas organizacionais de C2 das forças de Segurança Pública e de Defesa Civil, consolidando esforços quando houver a necessidade de defender a soberania, manter a ordem interna ou proporcionar assistência humanitária em atendimento aos interesses nacionais.
Os recursos humanos constituem o principal ativo do SISC2FAB, por serem os usuários fundamentais do Sistema, organizados em torno dos comandantes operacionais e táticos da Força Aérea Brasileira.
O próximo ativo, em grau de importância, é a informação, por ser o elemento catalisador entre a intenção de um comandante e o resultado final de uma ação militar. Toda a estrutura de C2 deve ser montada de maneira a otimizar a produção, o armazenamento, o trâmite, o acesso, o processamento e a segurança da informação.
Essa otimização torna-se mais acentuada com a utilização de recursos tecnológicos modernos, ajustados para o ambiente operacional e para a concepção de emprego da Força Aérea Brasileira, além da aplicação efetiva das Operações de Informação.
Como a tecnologia é considerada estratégica por quem a detém e constitui um fator crítico para o desenvolvimento de equipamentos computacionais e de telecomunicações,
essenciais ao C2, a busca pelo seu domínio e aperfeiçoamento deve ser contínua, por meio de investimentos diretos em pesquisa e desenvolvimento ou mediante parcerias com instituições públicas e privadas. Esse desenvolvimento deve estar alinhado com as necessidades do setor operacional.
DCA 600-1. Comandante da Aeronáutica.

Tudo isso da legislação vigente e recente registrada no CENDOC. Está previsto e pronto. A vida tem dessas coisas. A escala RISAER vai ficar apertada...

"Se queres prever o futuro, estuda o passado." (Confúcio)

domingo, 25 de abril de 2010

FF DIFRAL

Senhores!
Não somos somente o que nossas identidades dizem. Somos muito mais. Muitas vezes aprecio a idéia de compartilhar meu aprendizado quanto aos fatos com todas as pessoas que me cercam, sem discriminação de quem sejam, de modo a harmonizar e ensinar a harmonizar nossas relações. Isso pode incluir subordinados, pares, superiores hierárquicos e juízes. Tanto civis quanto militares.
Inclui indiretamente interesses de “clientes”. Usuários de transporte aéreo e contribuintes do Imposto de Renda. Definitivamente, a gama de pessoas atendidas pelo serviço militar da aeronáutica é extensível a todos os brasileiros. Mesmo brasileiros que nunca embarcaram em aviões têm interesse que os que o façam não caiam sobre suas casas. Ou suas cabeças.
Muitas vezes busco evitar até mesmo discriminar pessoas em níveis sociais acima do meu. O “rico” também gosta de ser incluído nas conversas. Só não gosta de perder tempo. Por isso o ar natural de empáfia de quem ouve discussões triviais.
Eles também merecem saber o que torna suas vidas perigosas. O que os fragiliza ante a capacidade de pessoas confusas que se reúnem em maior número para discutir situações. Ricos e poderosos temem suas próprias bastilhas pessoais. Chefes no serviço público ou empregadores no exercício civil vivem receosos de “levantes” em qualquer nível. Afeta seu status.
Levantes muitas vezes atrapalham o desenvolver da raça humana. Noutras determina a mensuração e ajuste do “fiel da balança”, na forma de rever valores. Trata-se de um dispositivo natural de qualquer empreendimento humano, dado a necessidade de sobrevivência. O instinto coletivo nos leva a associar às pessoas mais capazes que identificamos, dentre as que passam a compor nosso círculo social.
O levante do Forte Copacabana foi um lance muito curioso. Passados os valores de época, tratou-se de uma insensatez que de certo modo deu certo.
Alguns malucos se apegaram aos seus equipamentos e posicionaram-se contra a depreciação de seus dispositivos de comando. Deu no que deu.
Formaram a Força Aérea. Com a criação do Ministério da Aeronáutica, homens da defesa terrestre tomaram controle de um espaço muito maior que a superfície terrestre de seu país. Responsabilizaram-se por um volume espacial imenso a que chamaram espaço aéreo brasileiro. Isso foi uma das mais impressionantes demonstrações de poder já manifestada por qualquer grupo ou indivíduo em nosso solo.
Penso em Eduardo Gomes. No que deverá ter pensado, de modo a reintegrar o Forte de Copacabana à submissão de seus serviços, incorporando-a ao espaço aéreo de sua autoridade. Eduardo Gomes venceu o Exército Brasileiro criando seu próprio exército. Um enorme exército de pára-quedistas azuis.
Seu exército desenvolveu seu sonho muito além do que ele pudesse imaginar. De defender passaram também a ordenar o tráfego e policiar a presença indesejável em nossos céus. Tarefa complexa que incluiu a dedicação de gerações, voluntária ou compulsoriamente.
Fomos longe. Operadores de radar, profissionais em telefonia, mecânicos automotivos e de aeronaves, agentes de administração e especialistas em obras – o incontável número de integrantes desse exército que voa faz com que sejamos o que desejemos ser. Um grande grupo.
Compartilho com muitos o desejo de uma Força Aérea invencível. Uma gente tão criativa que constitua dissuasão natural a qualquer oponente além fronteiras. Um grupo forte, unido.
Coisa que somente homens com muita moral, impenetrável a abalos, podem fazer sob a aprovação dos ensinamentos de seu mestre. Por que não o exemplo do Tenente Eduardo Gomes? Melhoremos a cada dia.
Evidentemente aprendendo também com os erros de estratégia alheios, seria de supor qualquer espécie de manifestação, mesmo um acabrunhado resmungo. Conhecendo o desfecho desagradável da Revolta Tenentista, com seus mortos e feridos, é importante manter em mente o ensinamento do mestre Ghandi, manifestando-se de modo pacífico e solicitando qualquer ordem duvidosa de superiores hierárquicos por escrito. Isso descaracteriza qualquer idéia de revolta ou motim e restringe as relações de trabalho à cadeia de comando. Vale lembrar que as relações sempre se resumem a um superior hierárquico funcional, no serviço militar. Mesmo as relações de comando são apreciáveis pelo judiciário, civil e militar.
Isso acontece porque o mecanismo da revolta é a existência de armas. O mecanismo do motim envolve subordinação direta. Não acatar um mais antigo não significa necessariamente desacatar um superior.
A não ser que seja de sua cadeia de comando.
Esse é o dispositivo que impede que um oficial general do quadro médico determine a um operador radar que suba ou desça uma aeronave controlada. Quando o controlador diz “não” a um brigadeiro intendente não constitui insubordinação. Quando vários controladores o fazem não significa motim.
Quando o comandante da unidade recebe um não, sua moral está sendo contestada. Nenhum profissional o faz sem apreciar os efeitos de suas decisões. O especialista somente admite sem resmungar quando percebe ética na determinação.
Sem ética, já era a moral. Revelasse o senso comum que fosse ético submeter pessoas à pressão de empresas, acionistas, usuários do transporte aéreo, autoridades e demais segmentos sobre o capital humano envolvido na segurança aérea não haveria motim, revolta ou qualquer manifestação contrária à normalização de serviços tão sensíveis à vida humana, o serviço dos órgãos de controle do país teria continuado normalmente, sem interrupção.
Se durante a crise aérea fosse recebida pelos centros de controle qualquer parte administrativa determinando a continuação das atividades, seria realmente um motim. Isso no caso de ser deliberadamente negado uma ordem escrita do comandante da unidade ou seus chefes. Isso não aconteceu.
É possível até dar o bizu do texto, como qualquer escrevente o faria: ”Determino-vos retornar à atividade militar de controle aos seguintes militares:...”
Se os subordinados envolvidos na questão não solicitaram tal parte, não significa que seus superiores não saibam que devam fazê-lo. Creio que não tenha sido feito.
Ao invés disso, abandonaram sua própria razão, incluindo civis num assunto onde não há a menor razão para deliberação sobre suas próprias decisões. Pediram ajuda a universitários.
Tal despreparo não é justificável por pessoas que deveriam saber dominar suas emoções, agindo de modo a positivar o bem comum permeado mesmo em nossos severos regulamentos e estritos estatutos. O desconhecimento desse teor é inescusável por qualquer autoridade. Principalmente judicial e militar.
Mesmo um soldado sabe disso.
Então, se reconhece inconsistências de um sistema que inclui antigos e modernos, superiores e subordinados, dentre os quais ambos os grupos pareciam despreparados para um evento que já era senso comum. Os acontecimentos que se sucederam ao acidente do Gol 1907 não angariaram o apoio do efetivo.
O capital humano não é a favor do afastamento de qualquer profissional de suas posições operacionais. Também não é a favor da descontinuidade dos serviços. O efetivo de proteção ao vôo observa com alguma apreensão a falta de tato com que foi relegada à condição passiva de observador.
Apetrechos no uniforme presumem, mas não determinam a moral de quem os ostente. Há pessoas que se apropriam da autoridade de uniformes e insígnias que sequer podem utilizar. Imiscuem-se como civis em assuntos privativamente militares, de gente “ativa”.
Moral tem quem sabe o que expressa e abraça a liberdade de fazê-lo mesmo que custe a liberdade – e é quase impossível prendê-los por sua conduta irrepreensível. Não há morte ou liberdade que impeçam qualquer brasileiro sensato de exigir o que há de melhor para seu país e ainda há muito a ser feito. O primeiro passo é desfazer a babilônia de relações e estabelecer comunicação proativa. O segundo é agregar esforços. O terceiro é valorizar cada componente desse seleto grupo autodenominado Força Aérea. A partir daí nada mais detém que aperfeiçoemos nossa segurança em amplo sentido. Importante lembrar aos senhores que ninguém está aqui à toa, ninguém ocupa espaço nesse planeta sem que haja qualquer atividade na qual possa contribuir. No serviço militar sempre há uma ou outra faxina a ser feita em todas as salas.
Inclusive de superiores.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Primatas Mal Treinados

Tive um excelente professor de matemática, após uma série de outros professores detestáveis. Mozart era o tipo de ser humano que dava ânimo a qualquer ambiente. Todos ficavam gratos de tê-lo por perto.
Mais ainda: conseguia ensinar matemática como quem demonstra o funcionamento de uma caixa d’água: qualquer estúpido aprendia com ele. Deus sabe como fui grato em tê-lo conhecido. Mozart conscientizou-me que matemática poderia ser divertida.
As aulas desse professor da rede pública eram super interessantes. Era uma oportunidade única que a maior parte dos alunos, mesmo os gazeteiros, faziam questão de participar. Eram aulas onde o lógico ficava tão escancarado na nossa frente, que a consciência não podia negá-lo. E fazíamos graça disso. A melhor parte era quando ele concluía qualquer raciocínio:
“- Ora, se A=B, e B é igual a zero, então A é igual a zero também” – e fazia uma cara específica que não consigo reproduzir no papel. Logo após concluía:
“- Então? Qualquer primata bem treinado consegue resolver isso!”
Todos nós achávamos graça. E como resultado, ninguém esquecia aquela explicação. De algum modo, aquele curioso brasileiro que se denominava judeu desfazia de nossas mentes a incorreta sensação de que números fossem desagradáveis – e que judeus fossem gente avarenta. Distribuía ali um conhecimento que poderia tê-lo elevado a rendimentos muito superiores ao de professor.
Mozart poderia ter sido qualquer coisa na vida. Sua intimidade com números sugeria que pudesse ter sido tanto bancário quanto banqueiro. Poderia ter sido uma revelação entre os soldados ou uma excelente aquisição para a intendência. Essa capacidade tão particular é referenciada em muitos escritos antigos, que não omitem o fato que pessoas com essas características seriam postas a serviço de reis. Faleceu pouco após o início do novo milênio, acredito. Meu maior remorso é não ter tido coragem de visitá-lo no hospital. Militares ignoram a dor alheia blindando-se contra emoções, concentrando-se nas ações. É uma preparação que muitas vezes traz reflexo também na vida civil.
Mas senti que não me faria bem conscientizar-me da perda de um bom mestre.
Sinto-me, ex-aluno gazeteiro de sempre, conscientemente grato ao que muitos chamam de Deus por ter incluído em meu caminho este e muitos outros professores.
Tive também professores militares. Eles se intitulavam “instrutores”, mas instrutor nada mais é que um professor que não aceita ponderação. Ele instrui – e ponto final. Vale o que diz o manual.
O professor é diferente. Ele envolve seus alunos com a curiosidade experimental. Estimula a pesquisa de campos pelo próprio aluno.
O instrutor não faz experiências, ele ensina o que já foi testado. O aluno apenas desenvolve sua capacidade de aplicação.
Meus instrutores e professores durante a vida consolidaram seus esforços em cada turma acadêmica das quais participei. Sugiro que o leitor considere o ponto de vista que desenvolvi durante a vida, desde que me conscientizei peça nesse grande cenário chamado presente.
Integro o conhecimento de vários mestres. A mente humana muitas vezes condiciona-se ao exercício, tal qual se faz com os músculos. Minha mente está adequada a manter-me inteirado e capaz.
Instruído.
Pronto para agir quando necessário. A questão é assegurar-se que não haverá erros por ação ou omissão. Isso se traduz, no dia a dia, sua ação no serviço de guarda, por exemplo. Instruído também significa bem informado.
Isso é fácil para um sargento comunicações.
O segundo passo é avaliar o campo e o ambiente. Dica de Sun Tzu. Recomendo esse livro para qualquer divórcio.
Identifique seu oponente mais perigoso. Aquele que pode deixá-lo completamente inerte e observe-o atentamente. Você não vai procurá-lo nas pessoas, sim em suas ações. Pode ser seu chefe, um familiar, qualquer um.
Verifique condições de sair de seu domínio. Avalie os riscos.
Obtenha o maior número de informações a respeito. E utilize toda sua capacidade para sair de seu raio de ação.
Depois detone o oponente. Faça-o nunca mais desejar encontrá-lo pela frente. Isso vai facilitar sua vida – e a sobrevivência do oponente também.
Porque se você não sucumbir ao seu pior oponente, não sucumbirá diante mais ninguém. Basta lembrar que são primatas. Os primatas mais inteligentes, talvez.
Mas de um modo geral, primatas mal treinados.

sábado, 10 de abril de 2010

Serviço Militar - como funciona, no papel?

Nunca compreendi muito bem o termo “pegar ‘fulano’ para cristo”. A condenação, representada pela crucifixação, talvez seja parte de um processo onde seu exemplo renderá o desenvolvimento de toda uma nova mentalidade. Uma mentalidade superior aos ensinamentos anteriores. Essa mesma relação de envolvimento humano-metafísico repete-se e espelha-se em vários aspectos de nossas vidas. Na verdade, elas são determinantes nesse processo.

Talvez o maior ensinamento tácito que tenhamos recebido é que não precisamos de oponentes para sermos felizes. Países não-beligerantes agem dessa forma. Talvez esse sentimento de paz, numa medida muito própria do que acreditamos possuir por paz, leve-nos muitas vezes a afirmar que Deus é brasileiro.

Por que negá-lo? Que melhor momento para a paz do que aqui? Que época é melhor do que agora?

O inventor do miojo deixou um aprendizado muito sincero: ”Enquanto houver comida, a paz está assegurada”. Há algo fisiológico no ser humano que o determina assim.

A saciedade é um dos motivos de apaziguação. Apaziguado o estômago, a mente ou o espírito é que o ser humano médio adquire o melhor estado de reflexão. Uma mente desprovida de energia é como um motor poderoso sem combustível. Inútil, mas com potencial.

Transpondo essas constatações para a sociedade da qual participo, não é de se estranhar a desmotivação dos rostos de alguns grupos. Se é fácil receber um sorriso natural e afável nas quadras do Plano Piloto, não se o percebe igualmente no Pedregal. Talvez com o decorrer do tempo seja possível em qualquer lugar do Distrito Federal encontrar gente disposta, positiva e atuante. Essas características, entretanto, estão relacionadas com a qualidade de vida de cada indivíduo.

É no Serviço Militar brasileiro que há teoricamente a participação isonômica de três, das quatro classes sociais básicas: filhos dos ricos, pobres e da oscilante classe média. Dentro dos quartéis homogeneizamos a convivência de três tipos representantes da evolução financeira e social de nosso país.

Como se distribuem esses indivíduos? Como estabelecer uma linha média de suas características pessoais e potenciais? No modo como adquirem e gerenciam seus recursos.

Os filhos dos ricos evitam servir. Vêem a atividade como pouco rentável e buscam a realizar as atividades que dão maior retorno pessoal. Raros os que decidem dedicar-se ao meio militar. É mais fácil encontrá-los entre os oficiais superiores e generais. Não constitui regra, entretanto. Mas os poucos exemplos da classe pobre que atingem as maiores esferas de decisão sempre são referenciados por sua distinção. O restante é o que chamamos de “moita”. O cara que evita aparecer.

Os filhos da classe média costumam ingressar em uma de duas situações: via oficialato ou pelas escolas de formação de graduados. Normalmente, o serviço militar não é sua melhor opção, mas costuma ser a válvula de saída quando a pressão da competição por resultados se mostra superior aos seus esforços.

Os filhos dos pobres costumam ingressar nas forças como graduados ou praças. Não raro demonstram capacidade e passam a integrar o oficialato. A capacidade “política” desses raros exemplos definirá se atingirá os grandes comandos ou permanecerá confortavelmente em seções estáveis. Na grande parte das vezes, entretanto, permanecem soldados. As condições de ascensão de soldados são indiscutivelmente mais difíceis que as oferecidas aos sargentos. Isso advém de seu desgaste geográfico.

É possível afirmar que grande parte dos oficiais residem a menos de 15 km do quartel. Praticamente dentro da cidade. Isso facilita o acesso de tal modo que não se torne um suplício vencer o trânsito crescente das cidades, permitindo-os acordar confortavelmente a partir das 7:00h da manhã, configurando uma noção muito própria de classe média. Já os graduados moram em média até 25 km de seu trabalho. A distância adicional é suprida pelo empenho de suas energias financeiras na aquisição de veículo próprio. Muitos fazem de seus veículos próprios objeto do serviço e buscam ma medida do possível, permitir-se dessa forma ao máximo de sono possível. Buscam viver como a classe média. Soldados residem em médias superiores a 30 km do quartel. Não raro chegam atrasados, e no grande grupo de escoteiros, onde massificamos os filhos de nossos integrantes, são os mais punidos. A diferença é que do tempo quando o regulamento foi elaborado para os de hoje há muitos obstáculos a transpor para evitar dissabores administrativos.


Perceba-se que em nenhum momento, citei a existência de ricos no quartel. Minha definição particular de rico estende-se a pessoas que acordem naturalmente, sem o desespero da falência a que causaria sua ausência em qualquer envolvimento importante.

Considero rico, por exemplo, qualquer playboy dirigindo um bom importado nas ruas do Lago Sul. O que o torna rico em meu ponto de vista não é o relógio singular, a qualidade inegável de suas roupas ou o veículo confortável. É o tempo livre que suas condições no país o oferece. E o país, assim como seus pais, oferece mais ainda: ele pode dormir despreocupado toda noite, contando com a eficiência de seu governo para que possa dormir sossegado.

Apreciei essa distinção certo dia, ao abastecer “minha” motocicleta. As aspas são pertinentes, se contar do fato que a moto está registrada para fins de multa em meu nome, e mesmo que já estivesse quitada continuaria sendo paga por intermédio de meu “direito de utilizá-la”. Você pode quitar a moto, mas porta afora sua casa, ela jamais será totalmente sua. Se você não pagar para um terceiro, ele tomará seu veículo. E leiloará, e ficará com a sua grana.

Logo, a moto não é minha, é do Brasil. Seja lá esse quem for.

Enfim: enquanto abastecia a motocicleta do Brasil, cortou-me a frente um camarada com toda pinta de um californiano. Bermuda, óculos extravagantemente de bom gosto e um item importante: relógio. Quem usa relógio muitas vezes não conta com o tempo, e sim dispensa carregar consigo um aparelho celular. Rico aparenta necessidade de comunicação.

A idéia que eu tinha de um tipo “playboy” ainda era a de um Tom Selleck. Quarentão, numa Ferrari vermelha. A Ferrari não era do “Magnum”, era carro da empresa. O rico, realmente, era o Higgins. Um tipo soberbo que causou uma pré-concepção da personalidade dos proprietários desses veículos.

Prestei atenção a esse detalhe em outro episódio similar, também durante um abastecimento. De uma Ferrari marrom metálica desceu um modelo de proprietário atual. Pneus extra-largos e tanque completado com gasolina de alta octanagem, ele retirou-se com a tranqüilidade de quem conduz uma perua da família.

Presumi que em ambos os casos, são filhos de gente milionária. E tem, nas imediações de sua vizinhança, diversos postos de serviço onde há um número a ser preenchido. Por dispositivos sociais, estão desobrigados de servir ao Estado em qualquer uma de suas inúmeras guardas.

Ricos estão desobrigados a compor o Serviço Militar Inicial, justamente porque não há espaço para eles. Sobra aqui fora para viverem uma vida plena. A lei de serviço militar deixa de integrá-lo, suplantada por legislações diversas. Seu sono está assegurado.

Enquanto isso, abastecíamos os veículos. Havia naquele momento como o há qualquer dia e momento do ano, uma guarda. Ao transpô-la, quase pude identificar o desejo do sentinela. Liberdade. Quem sabe a liberdade de poder deixar seu posto a quem o deseje e sair de moto por aí. O soldado sonha em ser classe média, e desconhece os sonhos de seu estágio superior.

Saí do posto antes do playboy. Não consegui convencer-me de qualquer motivo para queixar-me de sua existência, muito pelo contrário: lembrar-me da legislação de serviço militar fez-me crer que no processo democrático, nada mais justo que permitir aos nossos reservistas o direito de estar bem nutridos, descansados e prontos para a guerra.

Há vários modos de medir o valor militar. Um dos que mais aprecio é o jurídico. Outra é o funcional. O julgamento de cada valor é preordenado por nossas legislações. Mesmo em transgressões disciplinares administrativas, há em alguma esfera, o julgamento. Os dispositivos legais a que o brasileiro se sujeita quando se alista.

Para os alistados no Serviço Militar da Aeronáutica, vale a RMA 33-1, a consolidação da Lei de Serviço Militar. Interpretando a legislação, o serviço militar consiste em atividades que o indivíduo irá assumir como responsável em um quartel. É obrigação de todos os brasileiros, conforme estipulado também em outros regulamentos. Mulheres não são obrigadas ao serviço militar, mas ficam sujeitas a encargos de interesse da mobilização. Armem suas vassouras!

Sua classe não é de acordo com seu signo. É de acordo com o ano em que completa dezenove anos, ou seja: aos dezenove, caso não use saias, já deverá estar por obrigação desempenhando suas funções. Em tempo de paz, ou de guerra.

Diz ainda que você poderá ser voluntário, a partir dos 17 anos. Ao recrutamento.

O recrutamento compreende seleção, convocação, incorporação ou matrícula de órgãos de formação da reserva, e voluntariado, onde serão avaliados os aspectos físico, cultural, psicológico e moral.

Uau.

Isso significa que o cara mais importante quanto ao tipo de gente que entra no quartel é o alistador militar.

Fosse necessário com meu conhecimento de recruta realizar tal função, começaria da seguinte forma: reforçando as guardas. Isso mesmo: através de uma boa seleção, aumentaria o temor público de confronto com nossas guaritas. Colocaria o soldado mais perigoso na guarda.

A questão é que perigoso é uma definição um tanto vaga, dado a diversidade de autoridades que transitam na capital. Uma autoridade tem sempre mania de medir forças com outra eventualmente, checando seu “grau combativo”. Só há um campo onde a moral do indivíduo não tem a menor chance: o relacionamento familiar. Por mais tirano que alguém possa parecer no ambiente profissional, sempre há alguém que o leva por suas paixões.

A maior vingança de um militar contra um civil sempre vai ser o serviço militar obrigatório. Um civil que resida a quinze minutos do quartel economizaria inúmeros processos de atrasos, desobstruindo mesas e decisões. Tudo o que o alistador militar precisa para atrair para a guarda alguém que sabe lidar com o rico é o filho do próprio rico. Preferencialmente alguém que tenha por hábito usar relógio.

E se o Brasil entrar em guerra, sua mulher. Ninguém discorda que se há alguém que exerce mais poder do que os próprios ricos, pobres ou classe média, são suas mulheres – esposas ou não. A verdade é que por trás de um grande homem ou um total fracassado, há uma mulher. Mesmo que a própria mãe.

Exageros à parte, dispositivos semelhantes mantêm o efetivo em baixo desempenho financeiro. No momento em que o jovem atende ao chamado e se alista, de um a quatro anos serão “investidos” em uma atividade. Ao cessar essa atividade, deverão encontrar espaço para convívio com os demais de sua classe. Sua reabsorção pelo mercado de trabalho poderá ser dificultosa ou não.

O país o retribui destacando-o entre os reservistas. No caso de mobilização, quem serviu terá precedência funcional sobre quem ainda será instruído. Alguns retornarão às atividades pelas quais foi instruído e participarão da instrução e administração.

O emprego estará a cargo dos mais modernos. Os filhos de amanhã dos que não serviram hoje.

Espaço Aéreo

Há setores profissionais e atividades diversas em aparente convulsão. E como o indivíduo e o meio são a mesma coisa, vivemos essa convulsão junto com o sistema. Dificuldades financeiras, problemas sem solução e restrições diversas são processos que estamos envolvidos eventualmente em nossas vidas pessoais. Este deve ser um momento de profunda reflexão para identificarmos o que há por trás desses acontecimentos e que deve ser feito.
A vida militar passa por vários ciclos que fazem parte de seus processos seletivos e evolutivos. E hoje vivemos a finalização de um deles. A necessidade do serviço determina que tracemos o caminho que nos leve à segurança, à qualidade de vida de cada integrante de nossa unidade. O indivíduo é indissociável de seu valor na sociedade. Principalmente no tocante ao bem comum de quem participa das enumerações do Estado. Estendo a referência à segurança de cada passageiro, em cada aeronave, beneficiado pela atenção de pessoas em terra. Pessoas, que por definição constitucional, são incumbidos de responsabilidades e autonomias que os diferencia dos civis. O caminho da segurança se dá, antes de tudo, através do primeiro impulso em direção à nossa consciência, nossa mentalidade. Devemos todos reconhecer dentro de nós mesmos, a qualquer tempo que seja questionado, esse fundamento básico da disciplina, esse principio estritamente militar.
O efetivo mudou. Todos nós temos mudado rapidamente sem estarmos individualmente preparados para isso. E com isso, novos problemas sociais e organizacionais são desencadeados freqüentemente. Abusos de autoridade, assédio funcional, o surgimento de lideranças deficientes, represálias administrativas, temor como fundamento da disciplina, transgressões e desmotivação, tudo isso fez e faz parte desse processo, a FAB não vai acabar. Mas seus valores mudarão de tal maneira que uma nova força despontará.
A caserna está atravessando o limiar entre o mínimo operacional e a confiança em sua capacidade real. Estamos empatados degrau abaixo das necessidades de qualquer civil em nossa qualidade de vida. Esse é o principal motivo do desenrolar de tanta oposição e falta de colaboração mútua entre servidores de toda administração e autoridades. Servimos num momento de crise coletiva. O que éramos já não faz mais sentido. Somos promovidos, nos adaptamos, mas ainda não sabemos o que seremos. Estamos no meio, entre o que somos e o que devíamos nos tornar. Muitas de nossas crenças pessoais terão coro em seus semelhantes, basta tomar uma xícara de café. Mesmo a ética extremista causa desgaste moral. A mensuração dos valores militares é algo que exige conhecimento adicional ao que é cabível aos civis.
Há uma espécie de dispositivo em cada um de nós que está deixando de funcionar, um padrão de interação que está falindo. Nossos pensamentos estão se voltando para o mundo civil, assim como nossos sentimentos. A cada dia que passa, são revelados fatos e somos conscientizados da caracterização do que é ético ou moral, os mais autênticos poderes que se manifestam dentro de alguns de nós. Impulsos que vem de outros exemplos, que fizeram parte de nosso processo aprendizado. Por isso estamos vivendo situações estranhas, onde a maior parte das coisas acontece e só tomamos conhecimento quando já nada podemos fazer.
Os desentendimentos ainda aumentarão, essa é a sensação de "fim do mundo" que todos nós estamos vivendo – no campo profissional e pessoal. Precisamos descobrir o que isso significa para cada integrante, pois a partir de já, nossa missão é defender o patrimônio da instituição: o efetivo. Para que a aplicação desordenada de punições deixe de desmoralizar a hierarquia e possa ser assegurada a disciplina necessária às próximos comandos. Devemos defender os princípios pessoais e profissionais de modo a justificar a qualquer momento nossas atitudes buscando fazer exatamente o que magistrados possam julgar e defender como militar qualquer cidadão.
Juízo para todos!